Construção Global: Pouso suave com o cinto folgado

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Ana Boata
Ana Boata Senior Economist for Europe
Sergey Zuev
Sergey Zuev Sector Advisor for Construction, Retail, and Tech
  1. Após dez anos de crescimento (2008-2018), atingimos o pico no ciclo de construção global. Este ano será o ponto de virada para a indústria global de construção, começando a esfriar gradualmente de +3% a/a em 2019, para +3,5% a/a em 2018. Ao longo da última década, a maioria do crescimento veio de mercados emergentes (+57% desde 2008), enquanto os mercados desenvolvidos ainda não conseguiram recuperar os volumes pré crise. No futuro, a desaceleração do crescimento do PIB e condições financeiras e monetárias mais restritas explicarão a desaceleração no setor residencial (+3% a/a em 2019, após +3,5% a/a em 2018, e +4% a/a em 2017). A disciplina fiscal necessária e o ímpeto do e-commerce, respectivamente, explicam o impulso limitado a esperar dos segmentos de infraestrutura e comercial.
  2. Enquanto crescia na última década, o setor de construção não "consertou o teto enquanto o sol (estava) brilhando" citando J.F. Kennedy. De acordo com os dados de propriedade da Euler Hermes, em milhões de empresas em 70 países, as classificações de risco médio do setor para demanda, lucratividade e liquidez não melhoraram. Como resultado, a construção está menos preparada para uma desaceleração. Isso é essencial, uma vez que a construção é uma parte crucial de todas as economias (avançadas e emergentes) e desempenha um papel de ampliação ou redução do impacto de uma recessão cíclica. Como primeiro sinal de uma reviravolta, nos primeiros três trimestres de 2018, houveram 41 grandes falências de empresas de construção (volume de negócios superior a 50 milhões de euros), mais do que no setor varejista (39).
  3. Cinco perspectivas de construção para 2019:
    1.  EUA: Construção deve crescer +3% a/a em 2018 e +2,1% a/a em 2019. Mercado residencial mostra sinais de alerta. Demanda e margens operacionais abaixo do nível pré crise.
    2.  China: Construção deve crescer +4.2% a/a em 2018 e +4% a/a em 2019. Aumento da alavancagem e alto risco de liquidez.
    3.  França: Construção deve crescer +1.6% a/a em 2018, e +1.5% em 2019. Demanda e margens operacionais  mais fracas. A liquidez, após longo período de melhoria, está começando a mostrar os primeiros sinais de estresse.
    4.  Reino Unido: Construção deve crescer +0.5% a/a em 2018 e +1.5% em 2019. Recuperação de demanda, mas a rentabilidade prejudicada e a deterioração da liquidez. A incerteza sobre o Brexit continua a pesar nas empresas e na confiança do consumidor.
    5.  Alemanha: Construção deve crescer +2.9% a/a em 2018 e +2.8% a/a em 2019. Demanda e rentabilidade sólidas. No entanto, a liquidez parou de melhorar e está mostrando os primeiros sinais de deterioração.