Preços de petróleo mais baixos por mais tempo: quem corre o risco?

Os preços de petróleo abaixo de US$ 45/bbl aumentam os riscos de recessão para países exportadores de petróleo

O impacto do crescimento negativo está aumentando com o tempo em que os preços de petróleo permanecerão abaixo de US$ 45/bbl. Em especial, economias exportadoras de petróleo devem sofrer (ver Figura 1), com o Equador e a Colômbia perdendo mais de -1pp do crescimento do PIB real devido a uma queda nos preços de petróleo de US$ 10/bbl. O México, a Rússia e os EAU devem perder mais de -0,5pp. O impacto dos preços mais baixos de petróleo para a Árábia Saudita continua mais contido, a -0,2pp para preços de petróleo que caem em US$ 10/bbl, dado que o impacto positivo sobre o crescimento de volumes de exportação e os estoques mais altos em grande medida irá combater os efeitos negativos das rendas reduzidas e da austeridade fiscal. Por outro lado, exportadores de energia, como a Zona do Euro, os EUA, a Índia, a China e o Brasil se beneficiam dos preços mais baixos de petróleo, uma vez que isso impulsiona o poder de compra real das famílias, embora este efeito possa ser parcialmente compensado pela preferência das famílias de economizar, o que é significativo em alguns desses países, especialmente em um contexto de incerteza elevada.

Os preços de petróleo mais baixos também resultarão na deterioração dos saldos fiscais e das contas correntes para todos os exportadores de petróleo: somente a Rússia e os EAU têm um preço de petróleo externo para proteger alguns lucros de cerca de US$ 30 bbl.

Os nove principais países exportadores de petróleo nas regiões CCG e CES [OB(1] têm um preço de petróleo de equilíbrio fiscal acima de US$ 45, e para a maioria deles, o preço do petróleo no breakeven externo também está acima desse nível (ver Figura 2). Somente a Rússia e os EAU têm um preço de petróleo externo para proteger lucros de cerca de US$30 bbl Assim, se os preços de petróleo permanecerem abaixo de US$ 45/bbl por mais tempo, especialmente o Bahrein e o Omã - que já apresentaram dois déficits grandes desde a queda do preço de petróleo em 2014 -, além do Cazaquistão, veriam seus déficits subirem para níveis que podem deixar os investidores desanimados, e causar uma pressão negativa sobre as moedas.  O Bahrein e o Omã devem obter apoio financeiro de outros países do CCG [OB(2] para defender a sua paridade cambial com o dólas dos EUA, se necessário, uma vez que os vizinhos mais ricos querem evitar riscos de contágio para as suas próprias paridades monetárias. O Cazaquistão pode ser novamente forçado pelos mercados a uma desvalorização substancial, como ocorreu em 2015. Caso o contágio passe para o Azerbaijão - que também passou por grande desvalorização em 2015 - embora esteja em melhor posição hoje. Nos países maiores do CCG [OB(3] e na Rússia, os equilíbrios fiscal e externo continuarão gerenciáveis ao longo dos próximos 12 meses graças aos ativos suficientes em seus respectivos Sovereign Wealth Fund – Fundo Soberano (FS). A Rússia, no entanto, pode passar por uma depreciação na RUB de 10-15% em 2020, se o preço médio do petróleo estiver abaixo de US$ 45/bbl.

Países sobreanos ou empresas poderiam rapidamente enfrentar problemas ao compensar a dívida

A necessidade de financiamento externo bruta é definida como a soma do saldo da conta corrente e da dívida externa com vencimento dentro dos próximos 12 meses. No Bahrein, isso soma 180% de todos os objetos mantidos pelo banco central e o Sovereign Wealth Fund – Fundo Soberano (FS) (ver Figura 9), refletindo que o soberano ou as empresas devem enfrentar rapidamente problemas com calotes de dívida caso um financiamento externo se torne mais difícil. No Omã e no Cazaquistão, as proporções correspondentes são mais confortáveis a cerca de 50%. No entanto, deve-se notar que os ativos estrangeiros do Cazaquistão compreendem apenas US$ 10 bilhões em reservas cambiais oficiais e US$ 16 mantidos pelo SWF. No passado, o país tem sido relutante em utilizar os ativos do SWF para salvar o seu sector bancário em dificuldades. Assim, também há o risco de que a implantação da dívida externa será difícil, especialmente para empresas do setor privado no Cazaquistão.